Publicado em 07/04/2026
A partir da esq., os astronautas da Artemis 2 Jeremy Hansen, Christina Koch, Reid Wiseman e Victor Glover. Eles concederam uma entrevista após a contornar a Lua nesta segunda-feira (6) –
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Tripulação conversou com o presidente Donald Trump após feito histórico
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Ao contornar a Lua, missão ficou cerca de 40 minutos sem contato com a Terra
Por Phillippe Watanabe e Elvis Pereira | Folha de São Paulo
Bogotá (Colômbia) e São Paulo
Após darem uma volta na Lua, ver seu lado oculto, chegarem mais longe do que qualquer humano já foi e ficarem cerca de 40 minutos sem contato com a Terra, os astronautas da Artemis 2 afirmaram, em meio a comemoração e sorrisos, que tiveram a chance de ver lugares na superfície lunar que nunca haviam sido vistos por olhos humanos. E, por um breve momento, comeram cookies para celebrar.
Nesta segunda-feira (6), a missão sobrevoou a Lua e atingiu mais de um marco. Às as 14h56 (de Brasília), Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, Christina Koch, 47, e Jeremy Hansen, 50, tornaram-se os humanos a viajar mais longe da Terra, quebrando o recorde da tripulação da Apollo 13, que em 1970 esteve a 400.171 quilômetros do planeta.
A aproximação máxima da Lua aconteceu às 20h02, quando a Orion viajou a cerca de 6.550 quilômetros da superfície lunar. Cinco minutos depois, a cápsula atingiu seu máximo afastamento da Terra, a 406.773 quilômetros do planeta.
Enquanto contornavam a Lua, eles tinham a tarefa de fazer observações científicas da superfície do satélite e reportá-las à equipe em Terra. Por último, presenciaram um eclipse solar.
Após a façanha, a tripulação teve uma breve conversa, ao vivo, com o presidente dos EUA, Donald Trump, e uma mais longa com Jared Isaacman, administrador da Nasa.
“Quando contornamos o lado próximo da Lua, vimos as paisagens que observamos da Terra durante toda a nossa vida, mas estávamos vendo de uma perspectiva diferente”, afirmou Wiseman, comandante da missão. “E então começamos a ver lugares que nenhum ser humano jamais havia visto antes, nem mesmo na Apollo”, acrescentou, referindo-se ao programa que, entre 1968 e 1972, levou 24 homens em viagens lunares e a metade deles pisou no solo do satélite.
Trump, por sua vez, afirmou que os astronautas eram pioneiros dos dias modernos. “Vocês deixaram a América [EUA] muito orgulhosa. Vocês inspiraram todo o mundo”, afirmou o republicano, que reforçou o desejo do país de tornar as missões lunares mais frequentes. “Desta vez, não vamos deixar apenas pegadas, vamos estabelecer uma presença lá.”
O presidente prometeu ainda uma missão ao planeta vermelho. “Faremos uma grande viagem para Marte. Vamos começar a pensar nisso muito em breve.”
Segundo Wiseman, após passar pelo lado oculto da Lua e ver o que viram —o astronauta mencionou Marte, em meio a uma frase cortada por interrupções frequentes na transmissão—, sentia-se animado pela humanidade estar se “tornando uma espécie de dois planetas”.
Apesar do trabalho científico necessário durante o período em que estavam frente a frente com o lado oculto lunar, sem comunicação com a Terra, os astronautas tiraram um tempinho para comer cookies feitos com xarope maple, contou Wiseman, rindo. “Tínhamos que ter um tempo para honrar a ida ao redor da Lua, sem contato com a Terra. Foi um momento surreal para a tripulação”, afirmou.
“Cookies maple no lado afastado [da Lua], entendido”, disse, em tom de brincadeira, Isaacman.
Koch, especialista da missão e a primeira mulher a ir à Lua, mencionou, vendo vislumbres da Terra, após passar pelo lado lunar afastado, a importância da exploração do espaço. Outra sensação foi: “Nos lembra do espaço especial que temos”.
Glover, piloto da missão e primeiro negro a ir à Lua, resumiu a experiência: “Foi bem legal!” O astronauta, porém, afirmou que tiveram que manter o trabalho em andamento durante o momento histórico. “Nós pudemos fazer algumas de nossas observações mais detalhadas.”
Ao responder uma pergunta de Isaacman sobre o que havia sido uma surpresa no voo, Hansen disse ter sido a oportunidade de observar o lado oculto da Lua. “Você tinha aquela esfera à sua frente e sentia que não estava em uma cápsula, era como se tivesse sido transportado para o lado oculto da Lua. Aquilo mexe com a sua cabeça.”
O astronauta acrescentou que, durante o período em que ficaram sem comunicação com a Terra, ficaram muito ocupados. “Estávamos tranquilos, fazendo nosso trabalho tentando colher o máximo de dados.”
A Artemis 2 já está em seu caminho de volta para a Terra. A amerissagem é esperada para a sexta-feira (10), no oceano Pacífico.

