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quinta-feira, 26 de março de 2026
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Justiça italiana autoriza extradição de Carla Zambelli

Publicado em 26/03/2026
  • Crédito: Evaristo Sa/AFP

Por Márcio Falcão, Túlio Amâncio, Beatriz Borges, TV Globo, GloboNews e g1 — Brasília

A Justiça da Itália autorizou nesta quinta-feira (26) a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli.

Zambelli deixou o país em maio do ano passado, apesar de ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) (relembre mais abaixo).

A decisão desta quinta-feira é da Corte de Apelação do país, que analisa o pedido de extradição feito pelo Supremo contra a ex-parlamentar. Ainda cabe recurso da defesa, antes do caso ser levado para decisão final do governo italiano.

A defesa de Zambelli já anunciou que vai recorrer. Não há prazo para uma resposta definitiva.

Foto de arquivo de 15/05/2025 da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) durante uma coletiva de imprensa na sede de seu partido no bairro de Moema, na zona sul da cidade de São Paulo. — Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo
Foto de arquivo de 15/05/2025 da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) durante uma coletiva de imprensa na sede de seu partido no bairro de Moema, na zona sul da cidade de São Paulo. — Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo

O processo que corre na Corte em Roma julga um pedido do STF para que Zambelli, presa após pedido da Interpol no país europeu, seja devolvida à Justiça brasileira(entenda a cronologia mais abaixo).

A ex-deputada tem cidadania italiana e deixou o Brasil em maio do ano passado, pela fronteira com a Argentina. Antes de chegar ao país europeu, ela também passou pelos Estados Unidos.

De lá, publicou uma mensagem nas redes sociais afirmando que era vítima de perseguição e que ainda pretendia provar sua inocência.

 

Como fugiu do país após uma condenação do Supremo, Zambelli é considerada foragida da justiça brasileira. Por isso, o STF formalizou um pedido de extradição, assinado pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

 

O documento foi encaminhado pelo governo brasileiro a autoridades italianas. Para que seja cumprido, o pedido precisa receber o aval da Justiça na Itália.

 

Presa após entrar na lista da Interpol

 

Em julho do ano passado, o governo confirmou a prisão de Zambelli. Ela estava na lista vermelha da Interpol, e foi detida por forças de segurança do país europeu.

Após a prisão, Zambelli disse que preferia ser julgada no país europeu e que provaria que não tem envolvimento na invasão do sistema do CNJ. A Justiça italiana decidiu mantê-la presa durante o julgamento, por entender que há risco de fuga.

Nos últimos meses, o processo de extradição de Zambelli enfrentou atrasos por diversos motivos e já teve quatro adiamentos de audiências. Na primeira delas, no fim de novembro, a defesa de Zambelli aderiu a uma greve de advogados em Roma, e na segunda, no mês seguinte, seus advogados apresentaram novos documentos à corte.

 

Condenação pelo STF

 

🗓️Em 15 de maio de 2025, a Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto por invadirem os sistemas do Conselho Nacional de Justiça.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), os dois teriam incluído documentos falsos em sistemas oficiais, com objetivo de colocar em dúvida a legitimidade da Justiça brasileira.

➡️Zambelli foi condenada à pena de 10 anos de prisão em regime inicial fechado e à perda do mandato, pois a pena a ser cumprida em regime fechado ultrapassa 120 dias (limite estabelecido pela Constituição Federal para ausência em sessões legislativas).

➡️O hacker Delgatti, também condenado no processo, foi sentenciado a oito anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado.

🗓️Em 25 de maio de 2025, Zambelli deixou o país pela fronteira com a Argentina. De lá, seguiu para os Estados Unidos, antes de pegar um voo para Roma. A ex-deputada tem cidadania italiana.

Em 7 de junho de 2025, o STF decretou a prisão definitiva dos dois. A decisão foi tomada após ocorrer o trânsito em julgado do processo — quando não cabem mais recursos da defesa e a pena deve começar a ser cumprida de forma definitiva.

Na ocasião, Moraes rejeitou os últimos recursos de Zambelli e determinou o envio ao Ministério da Justiça do pedido de extradição. Zambelli estava licenciada do mandato e, segundo a PF, deixou o país dias antes, em 25 de maio, via fronteira com a Argentina.

 

Ex-deputada enviou carta de renúncia

 

👉Em dezembro, o STF reiterou a determinação que previu a cassação do mandato de Zambelli, revogando decisão contrária da Câmara dos Deputados. A então deputada entregou uma carta de renúncia à Casa três dias depois.

 

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