Publicado em 15/03/2026
Pesquisa Datafolha mostra que 71% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6×1 –
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No final de 2024, 64% eram a favor da redução da jornada, segundo pesquisa anterior
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Pessoas que trabalham seis dias ou mais na semana são menos favoráveis do que quem trabalha até cinco dias
A maior parte dos brasileiros é favorável ao fim da escala 6×1, proposta atualmente em debate no Congresso Nacional, e essa percepção avançou em relação ao levantamento realizado no final de 2024, mostra pesquisa Datafolha.
Para 71% dos entrevistados, o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil deveria ser reduzido, enquanto 27% acreditam que não deveria; 3% não opinaram. As perguntas foram feitas de 3 a 5 de março.
O levantamento indica que o apoio cresceu em comparação ao registrado em pesquisa feita pelo instituto entre 12 e 13 de dezembro do ano retrasado, quando 64% se manifestaram a favor da medida, e 33% se posicionaram contra.
O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
O governo do presidente Lula (PT) já sinalizou que, apesar de o nome da proposta em debate —fim da escala 6×1— evocar os dias de trabalho, a prioridade é a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, como disse Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, à Folha.
“A lei tem que estabelecer a redução de jornada sem redução de salário, e a grade, com dois dias de descanso na semana, deve ser definida pelas negociações”, disse o ministro.
O posicionamento é uma flexibilização em relação à PEC (proposta de emenda à Constituição) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe reduzir a jornada de 44 para 36 horas semanais.
Ao analisar o perfil dos entrevistados, a pesquisa também mostra que os brasileiros economicamente ativos se dividem entre quem trabalha até cinco dias na semana (53%) e quem faz seis ou sete dias semanais (47%).
Apesar de o segundo grupo se encaixar entre os beneficiários do fim da escala 6×1, ele é menos favorável à medida: 68% dos que trabalham seis dias ou mais apoiam a medida, enquanto 76% daqueles que trabalham até cinco dias são favoráveis à redução.
Um dos fatores que ajudam a explicar essa diferença é a maior proporção de autônomos e empresários no grupo de pessoas que dizem fazer uma jornada semanal maior. Para eles, trabalhar mais tempo pode significar renda maior.
Já entre os que trabalham até cinco dias por semana, há uma participação maior de funcionários públicos, cuja duração da jornada não costuma influenciar a renda.
Da amostra entrevistada pelo Datafolha, 66% trabalham até 8 horas por dia, 28% mais de 8 horas a 12 horas e 5% mais de 12 horas; 1% não soube responder.
IMPACTOS NA ECONOMIA
Quando a pergunta é sobre o impacto para as empresas, as opiniões se dividem: 39% acreditam que os efeitos serão positivos, e outros 39% que serão negativos. No levantamento anterior, feito em dezembro de 2024, um percentual maior (42%) apontava para efeitos negativos para as empresas.
A redução de jornada também divide especialistas em relação aos impactos na economia brasileira, como a Folha mostrou.
Enquanto estudos setoriais apontam elevação de custos para as empresas, eliminação de vagas formais e redução do PIB (Produto Interno Bruto), outras análises mostram que não haverá desemprego significativo, que a elevação das despesas ocorre uma única vez e que a alta poderá ser diluída se houver planejamento.
Quanto aos impactos esperados para os trabalhadores, o Datafolha mostra que 76% acreditam que a redução da jornada será ótima ou boa para a qualidade de vida. Entre aqueles que trabalham até cinco dias por semana, esse índice é de 81%, ante 77% entre os que trabalham seis ou sete dias.
Quando a pergunta é sobre as consequências para a economia brasileira como um todo, 50% acreditam que o fim da escala terá um efeito ótimo ou bom, enquanto 24% preveem um impacto ruim ou péssimo.
Outra pergunta feita na pesquisa foi sobre os efeitos pessoais que o fim da escala 6×1 traria. Nesse caso, 68% avaliaram que a mudança será ótima ou boa para si.
Entre os que trabalham seis ou sete dias por semana, 65% acreditam que os efeitos pessoais serão positivos, um percentual menor do que o registrado entre aqueles que possuem jornada de até cinco dias (74%).
No que diz respeito à rotina pessoal de trabalho, o maior grupo é o que afirma que tem tempo suficiente para lazer e descanso (49%). O percentual daqueles que apontam que o tempo é insuficiente para se divertir e descansar é de 43%, enquanto 8% dos entrevistados dizem ter tempo mais do que o suficiente para descanso e lazer.
Ainda nesse contexto, a maioria (59%) dos que dizem trabalhar seis ou sete dias na semana avalia que seu tempo para lazer é insuficiente, o dobro daqueles que trabalham em jornadas de até cinco dias (29%).
POLÍTICA
A pesquisa do Datafolha revela também que o nível de apoio à redução da jornada varia de acordo com preferências políticas.
Entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022, 55% são a favor do fim da escala 6×1, e 43% são contra, enquanto 2% afirmaram não saber. No grupo que votou em Lula, 82% são favoráveis, e 16% contrários —3% disseram não saber. Nos dois casos, a margem de erro é de quatro pontos percentuais.
A percepção das consequências para a economia brasileira também é influenciada pelo fator político: entre os que votaram em Lula, 63% veem efeitos positivos para a economia; entre os eleitores de Bolsonaro, o índice cai para 37%.
RELIGIÃO
Já em relação à religião, o percentual de apoio ao fim da escala 6×1 é de 69% entre católicos (margem de erro de três pontos percentuais) e de 67% entre os evangélicos (margem de erro de quatro pontos percentuais).
Aqueles que frequentam mais a igreja —mais de uma vez por semana— apoiam menos a redução da jornada (63% são a favor) do que aqueles que frequentam uma vez por ano (81% favoráveis).
IDADE
Sob a ótica geracional, o apoio ao fim da escala 6×1 é maior entre os mais jovens, com 83% dos entrevistados entre 16 a 24 anos apoiando a ideia. O percentual cai para 75% entre os entrevistados entre 35 a 44 anos e vai a 55% no grupo de 60 anos ou mais. Em todos os casos, a margem de erro é de cinco pontos percentuais.
GÊNERO
No recorte por gênero, o Datafolha aponta que as mulheres apoiam mais o fim da escala 6×1 do que os homens: 77% das entrevistadas se posicionam a favor, enquanto na parcela masculina o percentual é de 64%. A margem de erro é de três pontos percentuais.

