Publicado em 01/02/2026
Bolsonaro está na Papudinha desde 16 de janeiro (Pablo PORCIUNCULA/AFP)
Documento encaminhado pela Polícia Militar ao Supremo Tribunal Federal relata atendimentos, visitas e atividades do ex-presidente
Por Heitor Mazzoco | Veja
O ex-presidente Jair Bolsonaro está desde o dia 15 de do mês de janeiro no complexo
da Papudinha, em Brasília, para cumprimento da pena de 27 anos e três meses
imposta pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no ano
passado por participação na trama golpista. Em relatório encaminhado na
sexta-feira, 30, pela Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), o
capitão da reserva tem uma rotina de atendimentos médicos, fisioterapia,
caminhada e visitas de familiares e advogados.
Bolsonaro chegou à Papudinha às 18h06. Naquele mesmo dia, recebeu visita
da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O encontro ocorreu entre 20h20
e 21h08. No mesmo momento, foi atendido por uma médica enviada pelo
Departamento de Saúde e Assistência ao Pessoal, da Polícia Militar.
Nos dias seguintes, o ex-presidente recebeu, no mínimo, três atendimentos
médicos. Em algumas datas, os registros de consultas chegam a cinco, como
em 16 de janeiro. Bolsonaro foi atendido às 7h, às 9h15, às 15h15, às 15h35 e às
19h10. Os problemas de saúde do ex-presidente foram agravados pela facada
recebida por Adélio Bispo, em 2018, em Juiz de Fora, interior de Minas Gerais,
durante campanha eleitoral.
“Registra-se que os atendimentos realizados por profissionais da Secretaria de
Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) consistem, em sua maioria, em
avaliações clinicas de rotina, voltadas ao monitoramento do estado geral de
saúde do custodiado, abrangendo, principalmente, aferição de sinais vitais, tais
como pressão arterial, frequência cardíaca, saturação periférica de oxigênio,
bem como avaliação clinica sumária e acompanhamento preventivo”, diz o
documento. As informações encaminhadas ao Supremo estão em 10 páginas e
são assinadas pelo Alleson Nascimento Lopes, comandante do 19º
Batalhão da Polícia Militar do DF. Aliados do ex-presidente tentam pressionar
o Supremo a conceder prisão domiciliar. O principal motivo é o estado de
saúde de Bolsonaro.
Bolsonaro não leu e não trabalhou
O documento ainda cita que o exercício físico praticado pelo ex-presidente é
caminhada. No dia 16 de janeiro, por exemplo, ele realizou a atividade das
16h47 às 16h57 e das 18h às 19h. No relatório há citação ainda de que
Bolsonaro não leu nenhum livro e também não trabalhou, o que poderia ser
utilizado para remição da pena. De acordo com a lei de execução penal
brasileira, a cada três dias de trabalho realizado, o condenado pode solicitar
diminuição de um dia da punição imposta pela Justiça. Em duas ocasiões, o
capitão da reserva recebeu visita de um pastor Thiago Manzoni, que também é
deputado distrital. A assistência religioso ocorreu em duas oportunidades: dias
20 e 27 de janeiro.

