Publicado em 19/01/2026
ESPECIAL: A Força da Ancestralidade e os Desafios do Povo Indígena no Acre
Em uma edição especial dedicada à valorização das raízes brasileiras, A edição do programa “O X da Questão” transmitido pela TV Rio Branco, canal 8.1, e Rádio Cidade FM 107.1, recebeu representantes de diversas etnias, como os Huni Kuin (Kaxinawá), Yawanawá, Arara e Ashaninka, para um diálogo profundo sobre a preservação da cultura e a luta por visibilidade. O encontro ocorre em um momento histórico, logo após a ONU reconhecer a cultura como um “bem global universal”.

Foto: Grupo Musical
Cultura como Sobrevivência e Economia
Para Manoel, representante das etnias, a cultura indígena vai muito além do folclore: “Cultura é vida, educação, saúde e economia”. Ele destacou o recente reconhecimento da cultura como um “bem global” pela ONU e celebrou os avanços na gestão territorial e no empreendedorismo dentro das aldeias, mencionando a entrega de equipamentos para fiscalização e o fomento ao turismo sustentável.
Foto: Cristina Kariany
O Papel da Mulher e o Valor do Artesanato
A rotina nas aldeias foi detalhada por Kariany, que explicou o cotidiano das mulheres, desde o preparo da alimentação tradicional (como a caiçuma e o peixe) até a produção de artesanatos complexos. O artesanato, no entanto, enfrenta desafios de valorização. Cada peça de miçanga ou tecido carrega os kenês (grafismos), que são representações de medicinas, animais e espiritualidade ancestral.
Cristina, uma jovem formada que saiu da aldeia aos 10 anos, ressaltou que o sustento de sua formação acadêmica veio justamente da venda dessas peças: “A gente saiu da aldeia, mas não deixamos nossa cultura”.

Foto: Cani Nani
A Luta da Juventude e a Resistência Urbana
Um dos momentos mais fortes do debate foi a fala da jovem estudante Cani Nani. Ela trouxe um alerta sobre a invisibilidade dos indígenas que vivem na capital, Rio Branco.
“Nós somos esquecidos. Não tem uma escola estudante indígena aqui no capital, não tem uma escola linguística para os vários povos que moram aqui”.
A juventude reivindica espaços de acolhimento e políticas públicas que permitam que o indígena estude na cidade sem perder sua identidade e conexão com a “Mãe Terra”.

Foto: Governador Gladson Cameli
Espiritualidade e União de Povos
O programa também celebrou a união entre diferentes etnias. Raia, filha de pai Ashaninka e mãe Yawanawá, exemplificou como o encontro de culturas fortalece os povos. A união de seus pais resultou na integração de técnicas de tecelagem e pinturas, criando novos meios econômicos e fortalecendo os laços ancestrais.
O encerramento foi marcado por cantos tradicionais e rituais, reforçando que, para os povos originários do Acre, cada adereço — como o cocar de penas de gavião — exige um batismo espiritual e um profundo respeito aos ensinamentos dos pajés.
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