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sábado, 29 de novembro de 2025
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Veja como usar o 13º salário para investir e fazer seu patrimônio crescer, em vez de só gastar

Sede da B3 no centro de São Paulo – Bruno Santos/Folhapress

  • Renda extra de fim de ano é chance para organizar vida financeira e diversificar os investimentos

  • Dados do Dieese apontam que benefício deve injetar R$ 369,4 bilhões na economia em 2025

Felipe Mendes | Folha de São Paulo
São Paulo

O 13º salário, que teve sua primeira parcela paga até esta sexta-feira (28), tem o potencial de injetar R$ 369,4 bilhões na economia em 2025, segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Embora muitos devam aproveitar os valores a mais para resolver problemas imediatos, como dívidas de curto prazo e despesas de IPTU e IPVA, o dinheiro também pode ser uma boa oportunidade para organizar a vida financeira e diversificar a carteira de investimentos para além da tradicional poupança e dos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) padrões oferecidos pelos bancos aos seus correntistas.

Hoje, o número de investidores no país gira em torno de 59 milhões, mas o 13º ainda é pouco explorado como ferramenta para construção de patrimônio.

Com o cenário atual de juros ainda bastante elevados, em 15% ao ano, especialistas indicam oportunidades na renda fixa para quem quiser fazer o dinheiro extra render. Para fazer com que a investida faça sentido, no entanto, é preciso entender que nem todo produto é igual —por isso é essencial comparar o rendimento líquido, a liquidez e a segurança de cada opção antes de investir.

Para quem busca retorno em um período curto, títulos de renda fixa simples, como LCA (letras de crédito do agronegócio), LCI (letras de crédito imobiliário) e o Tesouro Selic podem ser uma boa pedida.

“Para quem ainda não tem uma reserva de emergência sólida, o 13° funciona quase como uma oportunidade de ‘organizar a casa’. Nesse caso, aplicações simples, seguras e com liquidez diária —como Tesouro Selic ou equivalentes— são o destino mais eficiente, porque protegem o dinheiro e evitam que o investidor recaia em dívidas caras mais adiante”, afirma o planejador financeiro Harion Camargo.

“Já quem tem a vida financeira mais estruturada pode direcionar essa renda extra para produtos com prazo um pouco maior, como CDBs de vencimento definido, títulos isentos ou fundos de renda fixa”, comenta.

A renda extra de fim de ano também pode servir como porta de entrada para estratégias que buscam retorno superior à inflação. É o caso, por exemplo, de fundos multimercado, ETFs (fundos de índice) ou fundos imobiliários —até investimentos no exterior entram nessa conta. Mas é preciso saber que alguns desses ativos estão mais expostos à volatilidade.

“Para horizontes mais longos, como aposentadoria ou construção de patrimônio, parte do 13º pode ir para fundos de previdência, fundos imobiliários ou renda variável, sempre começando pequeno e diversificando. Quem já está mais estruturado pode até usar o 13º como aporte extra anual num portfólio recorrente, ajudando a acelerar metas de longo prazo”, indica Enrico Cozzolino, sócio da Levante Investimentos.

Quem se organiza a partir do 13º pode, inclusive, planejar uma futura aposentadoria. Para horizontes mais longos, indica-se o investimento em fundos de previdência, fundos imobiliários ou até renda variável. “Quem já está mais estruturado pode até usar o 13º como aporte extra anual num portfólio recorrente, ajudando a acelerar essas metas de longo prazo”, diz Cozzolino.

Para Fábio Macedo, COO da plataforma de investimentos Webull Brasil, o brasileiro com mais fôlego para investir pode usar esse momento para diversificar a carteira. Um estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas) aponta que o impacto do câmbio sobre a cesta de consumo dos brasileiros varia de 16% a 18% e, portanto, ter patrimônio no exterior é uma forma de proteção cambial.

“O dólar continua sendo a opção preferida dos brasileiros por ser a moeda mais forte do mundo. O 13º salário é uma ótima oportunidade para os brasileiros darem esse primeiro passo ou aumentarem a sua fatia de diversificação”, exemplifica ele.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Tão importante quanto ter uma boa reserva para investimentos é saber lidar com o excesso de informação no mercado para não cair em ciladas. Para apoiar os investidores, a B3, a Bolsa de Valores brasileira, criou um portal com cursos gratuitos de educação financeira que ajudam cada pessoa a identificar seus objetivos de acordo com o momento de vida de cada um. Atualmente, são mais de 520 mil pessoas cadastradas no portal.

“O final de ano é sempre um momento de reflexão, em que as pessoas podem olhar para todas as despesas e receitas que tiveram ao longo do ano e, então, pensar em maneiras melhores e mais eficientes de utilizar o dinheiro”, indica Marina Naime, gerente de projetos educacionais da B3.

A executiva afirma que somente este ano a B3 inaugurou mais de 10 cursos sobre o mercado financeiro em sua plataforma online. “É possível aprender sobre o mundo dos investimentos e como funcionam ativos como LCI, LCA, o que é um BDR, as características desses produtos e os riscos associados a cada um deles”, complementa.

A professora de economia Marisa Rossignoli, conselheira do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia), também recomenda maior atenção por parte das pessoas tendo em vista o excesso de ofertas nesta época do ano. “O final do ano apresenta um movimento do mercado no qual recebemos muitos estímulos para comprar. É importante ter em mente o que realmente é necessário nesta relação entre o que gastar hoje e o que guardar”, diz ela.

“Hoje, entre os gastos, existe um movimento da busca por bets e outros jogos virtuais como se fossem investimento ou lazer, mas são iniciativas criadas para serem lucrativas para as empresas e não para o consumidor”, destaca.


ANTES DE INVESTIR, SIGA ESSES PASSOS

Qual é o seu momento financeiro?

1. Desorganizado financeiramente

Este é o perfil de quem convive com dívidas, usa o cheque especial ou o rotativo do cartão com frequência e vê o salário acabar antes do fim do mês. A prioridade deve ser organizar as contas, entender os gastos e traçar um plano para sair do vermelho.

  • O que fazer: Nesta fase, o foco não é investir, mas aprender a controlar o dinheiro.

2. Contas em dia, mas sem planejamento

Pessoas que não têm dívidas, pagam as contas em dia, mas vivem no “zero a zero”. Não possuem uma reserva para imprevistos nem um plano para a aposentadoria.

  • O que fazer: O foco é entender a importância de criar metas financeiras.

3. Primeiros passos no mundo dos investimentos

Este perfil já superou a desorganização, entendeu a necessidade de pensar no futuro e está começando a poupar para a reserva de emergência.

  • O que fazer: O primeiro passo é buscar produtos de baixo risco e alta liquidez (facilidade de resgate em caso de imprevisto).
  • Ativos para analisar: Títulos, fundos de investimento ou ETFs de renda fixa, tanto atrelados à taxa de juros quanto à inflação.

4. Investidor em busca de crescimento

Este é o perfil de quem já tem uma reserva de emergência consolidada e agora busca investimentos para fazer o patrimônio crescer, pensando em objetivos de médio e longo prazo.

  • O que fazer: Com a segurança garantida, é hora de diversificar a carteira para buscar maior rentabilidade.
  • Ativos para analisar: Renda Fixa: Títulos de renda fixa atrelados ao IPCA, CDBs, LCIs, LCAs, debêntures, CRIs e CRAs.
    Renda Variável: Ações (para se tornar sócio de grandes empresas), Fundos Imobiliários (FIIs) e ETFs.
  • Investimento internacional (BDRs): Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são uma opção acessível. São recibos de ações de empresas estrangeiras (como as gigantes de tecnologia dos EUA) negociados diretamente na B3. É uma forma simples de investir no exterior sem a burocracia de abrir conta fora, fazer câmbio ou enviar dinheiro para outro país.Fonte: B3

COMO DEVEM SER AS PRIORIDADES DO 13º

  1. Quitar dívidas de cartão e cheque especial, já que elas têm juros maiores em relação aos investimentos.
  2. Para o investidor que quer retorno rápido, pode-se aplicar em renda fixa simples (Tesouro Selic e LCIs/LCAs), focando em segurança e liquidez. Se optar por produtos de maior risco, como fundos imobiliários e ações, é importante priorizar empresas que pagam dividendo mensal e buscar nomes sólidos no mercado com bons ratings e histórico de retorno acima do CDI.
  3. Para quem está sem dívidas e já tem ao menos parte da reserva, o 13º pode ser dividido conforme objetivo:

• Curto prazo (gastos de início de ano: IPVA, IPTU, matrícula): aplicações seguras e de liquidez diária, como Tesouro Selic ou CDB com liquidez.

• Médio prazo (projetos de 1 a 3 anos): LCIs, LCAs, CRI e CRA com prazos definidos, que costumam render mais que o CDI, muitas vezes com isenção de IR nas letras de crédito.

4. Para horizontes mais longos (aposentadoria, construção de patrimônio), parte do 13º pode ir para fundos de previdência, fundos imobiliários ou renda variável.

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