23.3 C
Rio Branco
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
O RIO BRANCO
AcreGeral

Acre fortalece rede de vigilância e ações preventivas em saúde materna e infantil

Publicado em 28/11/2025

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), tem intensificado as ações de vigilância, investigação e prevenção de óbitos maternos, fetais e infantis em todo o estado. Por meio do Núcleo Estadual de Vigilância do Óbito, a Secretaria realiza um trabalho contínuo de acompanhamento dos casos, com o objetivo de identificar causas, compreender o perfil epidemiológico e orientar medidas que contribuam para reduzir a mortalidade.

De acordo com a Sesacre, as informações sobre óbitos são constantemente atualizadas, os números ainda em investigação podem sofrer alterações, uma vez que muitos casos necessitam de análise aprofundada para definição da causa e da classificação do óbito. O processo envolve entrevistas com familiares, revisão de prontuários e cruzamento de informações com as redes municipal e estadual de saúde.

“Nem todos os registros representam nascimentos viáveis. Até a 8ª semana de gestação, o feto é considerado embrião, e até a 22ª semana, os casos de interrupção são classificados como abortos. Muitas vezes, essas perdas estão relacionadas a complicações de saúde da mãe, que podem não ter sido informadas pela gestante no início do pré-natal”, explica Walber Carvalho, coordenador da Rede Alyne, estratégia do Ministério da Saúde que propõe a melhoria do atendimento às mulheres e às crianças disponibilizando atendimento de pré-natal e assistência no período de gestação.

Secretaria realiza trabalho contínuo de acompanhamento dos casos, com objetivo de identificar causas, compreender perfil epidemiológico e orientar medidas. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

Fatores que influenciam os indicadores

Diversos fatores influenciam os índices de mortalidade materna e infantil. Entre eles, estão o início tardio do pré-natal, a baixa cobertura vacinal entre gestantes, a presença de comorbidades, como hipertensão arterial e sífilis, e condições nutricionais e socioeconômicas que impactam diretamente a saúde da mãe e do bebê.

A hipertensão, por exemplo, é atualmente a principal causa de mortalidade materna no Acre. Para prevenir complicações como a pré-eclâmpsia, a Sesacre oferece gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o uso de cálcio e ácido acetilsalicílico (AAS) durante o pré-natal, conforme orientação médica. “O acompanhamento contínuo é essencial. Quando o pré-natal é iniciado tardiamente, a gestante corre maior risco de desenvolver complicações que poderiam ser evitadas”, reforça Walber Carvalho.

Outro ponto relevante é a gravidez não planejada, que ainda representa a maioria dos casos. Esse tipo de gestação está associado a riscos aumentados de parto prematuro, depressão pós-parto, evasão escolar e dificuldades sociais e econômicas. “O ideal é que o atendimento em saúde reprodutiva comece antes da gestação, com acompanhamento da mulher em idade fértil, garantindo acesso a métodos contraceptivos e orientação adequada”, pontua o coordenador.

Outro ponto relevante é a gravidez não planejada, que ainda representa a maioria dos casos. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

Gravidez na adolescência e fatores sociais

A gravidez na adolescência também é considerada um fator de risco. Além das implicações biológicas, a situação envolve dimensões sociais e educacionais, exigindo atuação integrada entre as secretarias de Saúde, Mulher, Assistência Social e Educação. Sesacre reforça que a prevenção e o planejamento familiar devem ser trabalhados de forma intersetorial, garantindo o apoio e o acompanhamento das adolescentes e suas famílias.

Questões socioeconômicas, geográficas e de infraestrutura também exercem influência significativa sobre a mortalidade infantil.

Gravidez na adolescência também é considerada um fator de risco. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

Atenção às causas clínicas e estruturais

As causas clínicas dos óbitos são multifatoriais e incluem desde afecções maternas e placentárias até fatores intrínsecos do feto, como malformações congênitas e deficiências no desenvolvimento. Também são observados impactos do tabagismo, do consumo de álcool e do uso de drogas durante a gestação, que comprometem o desenvolvimento fetal nos primeiros meses de vida.

O estado nutricional da mãe é outro determinante importante: a desnutrição ou carência de micronutrientes aumenta o risco de parto prematuro e nascimento de bebês com baixo peso, que frequentemente necessitam de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e uso de fórmulas especiais.

Trabalho contínuo de investigação e prevenção

A Sesacre mantém um trabalho contínuo com os municípios, por meio de oficinas de investigação de óbitos maternos, fetais e infantis, para que as equipes locais conheçam o perfil epidemiológico das ocorrências, identifiquem as causas e implementem medidas de prevenção e controle. Essas capacitações também contribuem para aprimorar o preenchimento das fichas de investigação e fortalecer as ações de vigilância e cuidado.

Causas clínicas dos óbitos são multifatoriais e incluem desde afecções maternas e placentárias até fatores intrínsecos do feto. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

De acordo com a coordenadora do Núcleo Estadual de Vigilância do Óbito, Rener Luciana de Oliveira, esse trabalho só é possível graças à integração entre os diversos níveis de vigilância. “Ele envolve desde a vigilância hospitalar até a municipal, que realiza visitas domiciliares e investigações ambulatoriais, além da articulação com os sistemas de informação dos municípios. É um esforço conjunto para compreender cada caso e fortalecer as ações de prevenção”, destaca.

A coordenadora ressalta ainda que o núcleo promove continuamente a discussão sobre os casos com os municípios, incentivando-os a identificar seu perfil epidemiológico, compreender as causas de mortalidade e utilizar corretamente os instrumentos de investigação. “Também realizamos estudos de caso para problematizar essa temática e estimular uma análise mais qualificada dos óbitos. Dessa forma, conseguimos gerar informações de qualidade, que servem de base para a adoção de medidas eficazes de prevenção e controle”, complementa.

Vale destacar que, para fins estatísticos, o Ministério da Saúde considera o local de ocorrência do óbito, e não apenas a cidade de residência da paciente, o que impacta os dados do Acre, que recebe gestantes de estados vizinhos e países fronteiriços, como Bolívia, Peru, Venezuela, Rondônia e Amazonas.

Compartilhe:

Artigos Relacionados

Pastor acusado de matar a mulher vai a júri popular no Acre

Raimundo Souza

Balanço do INSS aponta que mais de 1,3 milhão de beneficiários solicitaram reembolso

Raimundo Souza

Relatório da PF que indiciou Bolsonaro traz diálogos do ex-presidente; leia íntegra

Kevin Souza

Prefeitura de Rio Branco esclarece regularidade de licitação para investimento em infraestrutura do Saerb

Raimundo Souza

Comércio varejista acumula aumento de 6,2% no Acre e tem a quarta maior variação da Região Norte no acumulado do ano passado

Jamile Romano

Governo convoca aprovados em concurso do ISE para inspeção médica e entrega de documentos

Redacao