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Política

Gladson Cameli Bate de Frente com MP e Mantém Nome da Avó em Maternidade de Rio Branco

Publicado em 18/10/2025

Foto: Marcos Santos/Secom

Em meio à inauguração de 10 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital do Juruá, neste sábado (18), o governador Gladson Cameli reafirmou sua intenção de manter o nome de sua avó, Marieta Cameli, na nova maternidade que está sendo construída em Rio Branco, mesmo após uma recomendação contrária do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC).

O embate surge após o MPAC emitir uma recomendação formal orientando a Casa Civil do Governo do Estado a não atribuir o nome de Marieta ou de qualquer outro familiar de autoridade em exercício à nova unidade hospitalar, sugerindo critérios objetivos e impessoais baseados em mérito social, histórico ou cultural.

Durante o evento em Cruzeiro do Sul, o governador defendeu a homenagem, citando a história de vida de sua avó, Marieta, como um símbolo das mulheres da Amazônia. Ele relembrou que Marieta teve filhos em casa, no seringal Belo Horizonte, e quase morreu após complicações no pós-parto de seu pai, Eládio, tendo que passar por um procedimento para a retirada de um cisto de 5 quilos em uma residência.

“Ela quase morreu, como muitas outras mulheres da nossa região. Ela merece, sim, dar nome à maternidade de Rio Branco e eu vou manter o nome dela sim”, enfatizou Cameli.

Críticas e Argumentos do Governador

Em sua defesa, o governador questionou a atuação do Ministério Público, citando outras estruturas públicas do Acre que, segundo ele, levam nomes de parentes de políticos, como o Hospital Regional de Brasiléia e o Parque de Exposição de Rio Branco.

“Por que não mandam tirar de todos? Se for para fazer isso, começa lá de trás. Mas vai ser o nome da minha avó, sim. Vou manter com toda certeza, porque ela merece”, declarou.

Cameli argumentou que a homenagem a Marieta Cameli representa “em nome de todas as mulheres que nasceram, que deram à luz aos filhos nascidos nas barrancas dos rios do Juruá”, e não apenas um ato político pessoal.

Dirigindo-se aos autores da recomendação, o governador disparou: “queria convidar quem, eu não sei nem quem foi que fez essa recomendação, para conhecer nossa realidade, conhecer nossa história, estudar a história do Acre… É muito fácil você ficar no gabinete com o ar condicionado, sem tirar a bunda da cadeira, para conhecer a realidade de como vivem milhares e milhares de famílias”.

Recomendação do MPAC

A recomendação do MPAC é clara ao solicitar que o Governo do Estado se abstenha de formalizar qualquer ato ou projeto de lei que atribua o nome de Marieta Cameli ou de familiar de autoridade em exercício à nova maternidade. O órgão ministerial orienta:

  • Adoção de critérios objetivos e impessoais para futuras denominações de bens públicos, priorizando personalidades falecidas de reconhecida contribuição à sociedade.
  • Comunicação prévia ao MP-AC de qualquer ato de denominação, visando o acompanhamento preventivo da legalidade.

O Ministério Público advertiu que o não cumprimento da recomendação poderá acarretar medidas administrativas e judiciais, incluindo a propositura de Ação Civil Pública por ato de improbidade administrativa. A Casa Civil do Governo do Acre tem um prazo de 15 dias para informar ao MP-AC as medidas adotadas.

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