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Cadeia da borracha nasce do esforço silencioso na floresta e transforma o extrativismo do Acre

Publicado em 29/09/2025

Na vastidão verde do Acre, onde o tempo dança ao compasso da floresta, mãos calejadas percorrem caminhos antigos, guiadas por memória e resistência. Entre seringueiras que sangram esperança, brota um dos insumos mais preciosos que cruzam fronteiras: a borracha amazônica.

Impulsionada por políticas públicas, pela atuação da Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra) e por incentivos do setor privado, a matéria-prima extraída nas estradas de borracha da zona rural de Rodrigues Alves calça o mundo com dignidade e resiliência.

Uma das principais matérias-primas utilizadas pela marca francesa Veja é justamente essa borracha. As solas dos tênis levam de 20 a 40% de borracha originária da floresta, coletada por comunidades tradicionais que mantêm modos de vida sustentáveis. O valor pago pelo quilo do CVP (borracha semiprocessada) é 3,5 vezes superior ao valor de mercado, com bônus de qualidade e de Serviços Socioambientais (PSES), o quilo chega a R$ 15. Além disso, como parte da certificação Fair for Life, cooperativas recebem um bônus adicional de R$ 0,60 por quilo para investir em projetos comunitários.

Com sede em Rodrigues Alves, a Coopercintra coordena essa engrenagem de saberes com 18 famílias que atuam na extração de látex nos municípios de Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Nessa rede já bem consolidada, que inclui ao menos 26 cooperativas, o produto é coletado nas comunidades, transportado pela Coopercintra à Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), e de lá segue para a empresa.

“Hoje a gente trabalha com 18 famílias de seringueiros em dois municípios, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul, em seis comunidades em que o produtor coleta nas suas áreas, traz para a cooperativa, a gente pesa, faz o pagamento e depois, quando a gente termina o período de safra, a gente transporta para Cooperacre, que encaminha para o destino final, ou seja, para que a Veja faça a produção dos tênis”, explica Queline Souza, diretora executiva da Coopercintra.

Em parceria com a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), a Coopercintra também realiza capacitações e monitoramento da qualidade da borracha, extraída em áreas remotas por trabalhadores que conhecem o tempo e os sinais da floresta como poucos.

[Agência de Notícias do Acre]

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