Publicado em 06/07/2026
Foto: Reprodução
Por Redação
A primeira exposição do Dataland, o recém-inaugurado museu dedicado à arte produzida com inteligência artificial (IA) em Los Angeles, nos Estados Unidos, tem suas raízes fincadas na Amazônia brasileira. A mostra de abertura foi totalmente inspirada em uma viagem do artista visual turco Refik Anadol ao estado do Acre, realizada há cerca de cinco anos.
A informação foi revelada pelo próprio Anadol em entrevista ao jornal O Globo. Segundo o pioneiro da arte digital, o contato com a floresta e com o povo indígena Yawanawa transformou profundamente sua percepção sobre o meio ambiente e moldou o conceito do novo espaço cultural.
O artista relatou que o estalo para o projeto surgiu durante uma conversa marcante com uma liderança do povo Yawanawa. Ao ser questionado sobre o significado da natureza, o líder indígena respondeu que a floresta é “uma inteligência viva”. A frase passou a guiar o trabalho do artista desde então.
Para traduzir esse conceito em arte, a instalação imersiva utiliza algoritmos de IA para transformar dados complexos da floresta em imagens fluidas de alta definição. Para além do impacto visual, a exposição propõe uma experiência sensorial completa: o público é envolvido por uma sonoplastia com cantos de pássaros e por aromas de flores nativas gerados no ambiente, simulando a sensação real de estar dentro da mata.
Ciência e Ética de Dados
Anadol, que fundou o Dataland em parceria com a artista Efsun Erkilic, ressaltou que os dados que alimentam a inteligência artificial de suas obras são obtidos de forma estritamente autorizada. Grande parte do banco de informações biológicas e ambientais utilizado no treinamento dos algoritmos provém dos arquivos do Smithsonian, o renomado complexo de museus e centros de pesquisa dos EUA.
O Dataland surge com o propósito de debater o futuro da tecnologia na cultura. De acordo com os fundadores, o espaço nasce para demonstrar que a inteligência artificial deve atuar como uma ferramenta de coautoria para expandir a criatividade humana, e não para substituí-la.

